A verdadeira concorrência desleal do mercado de provedores: ANEEL adia de novo a decisão sobre os postes

A concorrência desleal que mais corrói o provedor pequeno não vem de outro provedor, vem do poste. A Aneel retirou de pauta, pela segunda vez em menos de um ano, a atualização das regras de compartilhamento com as operadoras de telecom, e deu mais 15 dias para negociar com a Anatel. A demora segue mesmo depois de o TCU recomendar, por unanimidade, que as duas agências acelerem a revisão: a Corte identificou que a indefinição já leva 83% dos pequenos provedores a pagar acima do preço de referência.

Publicado em 07/10/2026 · atualizado em 07/10/2026· Revisado tecnicamente em 07/10/2026 por Rodrigo Oliveira 3 min de leitura

Verificado em 7 de outubro de 2026 · Revisado por Rodrigo Oliveira

Poste de energia elétrica com cabos de rede de telecomunicações compartilhando o mesmo espaço, representando o impasse regulatório entre Aneel e Anatel sobre compartilhamento de postes
A demora de Aneel e Anatel para atualizar as regras de compartilhamento de postes levou o TCU a recomendar, por unanimidade, que as duas agências acelerem a revisão.

A concorrência desleal que mais prejudica o provedor de internet pequeno não vem de outro provedor. Vem do poste. Enquanto o mercado debate clandestinidade e dumping entre concorrentes, é a demora de duas agências federais em definir uma regra de compartilhamento que segue forçando milhares de provedores a pagar mais do que deveriam por um insumo que não têm alternativa para usar.

Em 6 de outubro, a Aneel adiou de novo a decisão sobre as novas regras de compartilhamento de postes. É a segunda vez em menos de um ano que o tema sai de pauta. O relator do processo, Gentil Nogueira de Sá Júnior, propôs mais 15 dias de negociação com a Anatel antes de voltar a votar.

Um impasse que já devia ter sido resolvido

A Resolução Conjunta Aneel/Anatel nº 4/2014, que rege esse compartilhamento, já tem mais de dez anos. Só nesta última rodada de revisão, o impasse já passa de um ano: em dezembro de 2025, a Aneel aprovou um texto que deixava as distribuidoras de energia como exploradoras comerciais dos espaços nos postes. Em maio de 2026, a AGU deu parecer vinculante dizendo que essa exploração precisa ser transferida. Desde então, Aneel e Anatel não conseguiram fechar acordo. O ponto central da discordância: se empresas ligadas aos grupos das distribuidoras de energia podem continuar explorando comercialmente o espaço usado pelas redes de telecom. A Anatel defende manter a restrição que ela mesma propôs em 2023.

Por que isso é concorrência desleal, e não só burocracia

Quem controla o acesso a um insumo essencial, e demora anos para definir um preço de referência justo para ele, tem poder sobre quem depende desse insumo para operar. Cada mês sem regra nova é um mês a mais de provedor negociando ponto de fixação sem preço de referência atualizado e sem segurança jurídica sobre o que vem depois. Quem tem estrutura para sustentar disputa judicial aguenta esperar. Provedor pequeno, não, e é exatamente esse provedor que o TCU identificou como o mais prejudicado. Isso distorce a concorrência tanto quanto qualquer prática comercial desleal entre empresas, só que o desequilíbrio vem da regra, não do concorrente.

O TCU já tinha avisado, em setembro

Em 16 de setembro de 2026, o Plenário do TCU aprovou por unanimidade o Acórdão 2553/2026 (relator ministro Antonio Anastasia), dentro de uma auditoria sobre barreiras do Custo Brasil para pequenos provedores de telecomunicações. O TCU recomendou que Anatel e Aneel, em conjunto:

  • definam um cronograma com marcos temporais para concluir a revisão;
  • estabeleçam metodologia de cálculo e preço de referência considerando

perfis diferentes de poste, urbano e rural;

  • adotem medidas de transição que garantam segurança jurídica até a nova

regra entrar em vigor;

  • criem procedimento de conciliação para divergências entre as partes;
  • garantam mecanismos de concorrência justa no uso da infraestrutura.

A auditoria constatou que a demora "aumenta a insegurança jurídica, eleva o custo dos pequenos provedores de internet e pode inviabilizar a operação deles". Segundo o levantamento do TCU, 83% dos pequenos provedores pagam hoje acima do preço de referência pelo uso dos postes.

Passaram-se mais de 20 dias desde essa recomendação unânime de um tribunal de contas federal, e a resposta das duas agências foi adiar de novo, com um prazo de 15 dias que nem está garantido.

O que o provedor pode fazer agora

Esperar a regra nova sair não é a única opção. A Resolução Conjunta Aneel/Anatel nº 4/2014 já estabelece regras de compartilhamento, e parte da cobrança acima do preço de referência hoje dá para contestar com a norma vigente, sem esperar a reforma. A SCM Engenharia acompanha esse processo e ajuda provedores na negociação, regularização e ocupação de postes de distribuidoras de energia. Se você paga acima do preço de referência ou está em negociação travada com uma distribuidora, fale com a nossa equipe.

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