Os 7 erros mais comuns em projetos FTTH de provedor regional

Subdimensionamento de OLT, splitters mal posicionados, fusões de baixa qualidade — os erros que custam milhões no longo prazo.

Publicado em 16/06/2026 · atualizado em 25/06/2026 2 min de leitura

Projeto FTTH (Fiber to the Home) bem feito é o que separa um provedor que cresce com margem de um que vive apagando incêndio. Estes são os 7 erros mais comuns que a SCM Engenharia identifica em diagnósticos técnicos de redes de PPPs.

1. Dimensionamento de splitter sem reserva

Saturar splitters 1:32 ou 1:64 em 100% “para economizar fibra” quebra a expansão. Boa prática: ocupar até 70% e prever upgrade para XGS‑PON ou expansão de OLT.

2. Topologia plana sem anéis

Rede em estrela pura, sem anel de proteção no backbone, deixa o provedor com single point of failure em cada DIO. A norma de boas práticas do setor (e referências do NIC.br / CEPTRO) recomenda anéis com proteção 1+1 ou OLT redundante.

3. Cabos sem identificação ABNT NBR 14565/16264

Ausência de etiquetas, mapeamento e cadastro georreferenciado torna manutenção lenta e cara. Use GIS (QGIS, MapeAds, Network Glue) integrado ao ERP do provedor.

4. CTOs mal instaladas

Caixas penduradas, sem trava, sem aterramento, sem reserva técnica. Resultado: vandalismo, infiltração, microfraturas, atenuação fora do orçamento óptico.

5. Orçamento óptico no limite

Projetar com atenuação > 27 dB para ONU classe B+ é receita para sinal baixo em chuva. Margem segura: 3 dB de reserva acima do worst‑case calculado.

6. Falta de RPKI e IPv6 desde o início

Provedor que monta FTTH em 2026 sem dual‑stack IPv6 e sem ROAs RPKI vai retrabalhar tudo em 2 anos. Marco Civil + filtros de upstreams modernos exigem.

7. Projeto sem ART e sem responsável técnico

Lei 5.194/1966 e Resoluções do CONFEA exigem ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) assinada por engenheiro habilitado. Sem ART, o provedor não obtém autorização de passagem em postes (Lei 13.116/2015 + Res. Conjunta ANEEL/ANATEL 4/2014) e fica vulnerável em fiscalização.

Checklist mínimo do projeto FTTH

  • [ ] Levantamento georreferenciado (KML/SHP)
  • [ ] Orçamento óptico com 3 dB de margem
  • [ ] Splitters dimensionados a 70% de ocupação
  • [ ] Anéis de proteção no backbone
  • [ ] OLT com fonte e uplink redundantes
  • [ ] CTOs etiquetadas, com reserva, em altura segura
  • [ ] Dual‑stack IPv4/IPv6 desde o piloto
  • [ ] RPKI ROAs publicados antes do go‑live
  • [ ] ART do projeto e ART de execução assinadas
  • [ ] Contrato de compartilhamento de postes (CCI) assinado

Fontes técnicas e legais

  • ITU‑T G.984 / G.987 / G.9807 (GPON / XG‑PON / XGS‑PON) — https://www.itu.int/rec/T-REC-G.984
  • ABNT NBR 14565 — https://www.abnt.org.br/
  • NIC.br / CEPTRO.br — https://ceptro.br/
  • Lei 13.116/2015 — https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13116.htm
  • Resolução Conjunta ANEEL/ANATEL nº 4/2014 — https://www2.aneel.gov.br/cedoc/jres20144_2.pdf
  • Lei 5.194/1966 (CONFEA) — https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5194.htm
  • RPKI / IRR — NIC.br — https://bcp.nic.br/

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